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Polos florestais do Estado contribuem para melhorar relação de oferta e demanda do mercado

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O Paraná é um dos maiores produtores de madeira do país e aparece em primeiro lugar no Brasil quando o assunto é área plantada de pinus, sendo o pioneiro nos plantios em larga escala dessa espécie. São mais de 692 mil hectares, número que representa 68,6% da área plantada. Com relação à área de eucalipto, são aproximadamente 256 mil hectares, correspondendo a 25,4% dos plantios florestais no Paraná. De acordo com o Estudo Setorial 2020 realizado pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), as florestas plantadas estão distribuídas heterogeneamente pelo Estado. Por isso, ao realizar o mapeamento e localizar onde estão os plantios, a Associação segmentou o Paraná em polos florestais, principalmente para destacar a relação de oferta e demanda. Assim, surgiram sete polos, que têm diferentes características e onde são gerados diversos produtos: Telêmaco Borba; Lapa; Ponta Grossa; Vale da Ribeira; Sengés; Guarapuava; e General Carneiro.

Segundo explica o presidente da Apre, Álvaro Scheffer Junior, o conceito de polo se dá pela dinâmica de mercado, e a produção de cada um é alocada em diferentes cadeias industriais. Assim, estabelece-se uma relação de oferta e demanda por matéria-prima dentro de uma determinada região geográfica.

“O setor florestal do Paraná alcançou um Valor Bruto de Produção de R$ 4,4 bilhões em 2019, deixando o Estado em terceiro lugar na classificação geral. Isso seria o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, o que quer dizer que estamos no topo da cadeia do agronegócio paranaense. Portanto, conhecendo de forma mais específica onde estão localizadas as empresas, qual o perfil dos negócios e das espécies plantadas, a produção e o consumo da madeira, é possível entender melhor as necessidades de cada região. De forma inédita, a Apre realizou este levantamento no Estado do Paraná. O resultado traz ainda mais detalhes sobre os polos florestais e serve de subsídio para o planejamento das ações da entidade, assim como para o mercado e para o planejamento de rotas do próprio setor”, detalha.

Durante o estudo, Scheffer Junior conta que foi possível identificar que os polos que produziram toras de maior diâmetro, com ciclos mais longos, consequentemente conseguiram agregar maior valor à produção, gerando um Valor Bruto de Produção (VBP) maior e chegando a produtos em que é possível agregar maior valor para o produto final.

“Nossas florestas têm uma capacidade muito grande de produzir matéria-prima para um parque industrial extremamente diversificado. Isso quer dizer que o manejo das nossas florestas é direcionado a multiprodutos. Conseguimos dar destinação tanto para uma floresta de ciclo curto, que seria celulose e papel, como floresta de ciclo bem mais longo, como madeira serrada, laminação, floresta com volume individual muito maior. Além disso, temos institutos de pesquisa e universidades de ponta aqui no Estado, o que ajuda muito no desempenho do setor, seja na preparação técnica e de conhecimento aos nossos profissionais, até a busca de soluções para pragas, por exemplo. Essa ajuda faz toda a diferença no dia a dia. Um estudo com dados consistentes, o diálogo entre as empresas, o apoio das pesquisas e a representação institucional consolidada certamente garantem o sucesso desse setor no Paraná”, garante.

Polos

O destaque entre os polos fica para o de Telêmaco Borba, que concentra a maior área de florestas plantadas do Paraná, com um total de 219.641 hectares, dividido quase igualmente entre pinus e eucalipto, possuindo a maior concentração de plantios de eucalipto no Paraná. Fazem parte desse polo os municípios de Telêmaco Borba, Ortigueira, Reserva, Tibagi, Ibaiti, São Jerônimo da Serra, Sapopema, Figueira, Curiúva, Imbaú, Ivaí, Cândido de Abreu e Ventania. A indústria é diversificada, com produção silvicultural direcionada para os segmentos de serrarias, molduras e, principalmente, celulose e papel. Dessa maneira, o polo é caracterizado como produtor florestal e consumidor, com a presença de grandes maciços florestais, manejados em maior parte para processo, mas também para multiprodutos. Mas apesar de possuir o maior volume de produção no Estado, de acordo com Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o valor bruto da produção (VBP) florestal na região é o segundo maior dentre os polos, totalizando aproximadamente R$ 609 milhões.

Em segundo lugar no Estado, o polo Sengés é composto pelos municípios de Jaguariaíva, Sengés, Arapoti, Piraí do Sul, São José da Boa Vista e Pinhalão e detém 133.303 hectares, sendo produtor e consumidor florestal e abrigando indústrias de celulose e papel, serrados, compensados, molduras, painéis reconstituídos e móveis. Em 2019, esse polo apresentou um aumento de 5,3% na produção de madeira em relação a 2018, chegando a 1,9 milhões de metros cúbicos, e VBP de R$ 109 milhões. 

Outro polo que merece destaque é o de General Carneiro, que tem uma área de 120 mil hectares de florestas plantadas, com predominância de pinus, mas um VBP extremamente alto de R$ 859 milhões, o maior valor da silvicultura dentre os polos. Bituruna, General Carneiro, Coronel Domingos Soares, Palmas, União da Vitória, Cruz Machado, Rio Azul, Mallet, Paula Freitas, Paulo Frontin e Porto Vitória são os municípios que compõem esse polo.

Já no polo da Lapa, com uma área plantada de 80 mil hectares, há o predomínio de pinus. O VBP chegou a R$ 323 milhões, e a principal característica é uma grande produção de toras de maior diâmetro, destinadas à madeira serrada, laminação, celulose, papel e um pouco de produção de energia. Vale ressaltar, ainda, que os polos General Carneiro e Lapa têm uma integração muito grande com o Estado de Santa Catarina e uma troca de matéria-prima de um Estado para o outro. Na avaliação do presidente da Apre, “essa é uma integração interessante, principalmente porque Santa Catarina é o segundo maior em plantio de pinus”. Do polo Lapa, fazem parte as cidades Lapa, Rio Negro, Campo do Tenente, Piên, Quitandinha, Agudos do Sul, Tijucas do Sul, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Mandirituba, Araucária, Contenda, Antônio Olinto e São Mateus do Sul.

O quinto maior polo em área plantada é o do Vale da Ribeira, com 104 mil hectares de floresta plantada e também predomínio de pinus. O VBP foi de R$ 311 milhões e uma característica principal de toras de maior diâmetro, destinadas à produção de madeira serrada, celulose e papel. Essa região foi a primeira a receber a implantação de florestas por meio de incentivos fiscais e compreende os municípios de Cerro Azul, Adrianópolis, Doutor Ulysses, Tunas do Paraná, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Almirante Tamandaré e Colombo.

Por fim, o Estudo Setorial da Apre identificou mais dois polos. O de Guarapuava, que concentra 100 mil hectares de florestas, predominando o pinus, tem o terceiro maior VBP e uma indústria bastante diversificada. Os municípios que o compõem são Guarapuava, Pinhão, Inácio Martins, Irati, Rebouças, Imbituva, Guamiranga, Prudentópolis, Pitanga, Goioxim, Campina do Simão, Turvo e Boa Ventura de São Roque.

Já o de Ponta Grossa, que apresenta 91 mil hectares de área plantada, apresenta um VBP um pouco menor de R$ 198 milhões, com o polo sendo dividido entre os principais produtos vindos da floresta, como tora de maior diâmetro, madeira de processo e um pouco de biomassa, destinados para madeira serrada, celulose, papel, biomassa e chapa de madeira reconstituída. Esse polo compreende os municípios de Ponta Grossa, Castro, Carambeí, Campo Largo, Campo Magro, Balsa Nova, Porto Amazonas, Palmeira, São João do Triunfo, Fernandes Pinheiro, Teixeira Soares e Ipiranga.

Para ler o Estudo Setorial Apre 2020 completo, acesse www.apreflorestas.com.br