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Empresas paranaenses de florestas plantadas são exemplo de posicionamento sustentável

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Uma das principais preocupações do setor de florestas plantadas é garantir qualidade à madeira. Ao mesmo tempo, alcançar maior produtividade. Mas tudo isso passa, obrigatoriamente, pelo compromisso do segmento com o desenvolvimento sustentável, focado em ações para as pessoas, o meio ambiente e para a prosperidade das comunidades. Com base nessas premissas, aliadas à tradição no uso dos recursos das florestas, o setor vem mostrando que os plantios florestais são uma solução sustentável para a produção de matéria-prima para múltiplos usos. Hoje, a sustentabilidade é um tema que permeia não só o setor florestal, mas o mundo corporativo como um todo. Diversos setores da economia já absorveram esse compromisso, adotando, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Carlos Sanquetta, que tem forte atuação na sustentabilidade corporativa, certificações e mudanças climáticas, as companhias ao redor do mundo vêm aplicando esse tema internamente. No Brasil, ele avalia que as empresas que trabalham com plantações florestais têm se mostrado bastante proativas, adotando boas práticas e implementando uma série de ações, passando por todo um processo que inclui as certificações florestais, ambientais, de gestão, segurança, saúde, qualidade do produto etc.

O grande desafio, segundo Sanquetta, é entender, compreender e se ajustar aos novos parâmetros que a sociedade exige hoje com relação à sustentabilidade. É preciso mostrar o que a empresa está fazendo, como ela trata a comunidade, como trabalha questões relacionadas à água, equidade de gênero, mudanças climáticas, gestão de resíduos, entre outras. Tudo isso, conforme o professor explica, está previsto na certificação florestal, mas o acesso à documentação nem sempre é muito claro para a população de modo geral.

“Mais de 70% das plantações florestais brasileiras são certificadas. O setor de árvores plantadas têm grande grau de absorção das certificações como uma ferramenta de gestão importante, não só para cumprir parâmetros de consumidores e importadores, mas também para ter melhores práticas internas de gestão e governança. A certificação veio com o intuito de separar os produtos produzidos de forma sustentável dos não sustentáveis. Isso foi uma exigência do mercado importador, como Europa, partes da Ásia e Oceania mais desenvolvidas e América do Norte, que buscam procedência dos produtos de origem florestal. Já a sociedade brasileira ainda precisa de um esclarecimento do papel da certificação, da importância de discriminar uma coisa da outra. Com a demonstração das boas práticas e a transparência, acredito que o setor terá mais apoio, porque a população está querendo comprar melhor”, comenta.

Atentas a essa realidade, empresas que integram a Associação Paranense de Empresas de Base Florestal (Apre) mostram que esse é um caminho sem volta para quem quer se manter competitivo e exercer com responsabilidade um papel de agente transformador na sociedade. Marcelo Leoni Schmid, sócio-diretor do Grupo Index, uma das associadas, lembra que a sustentabilidade corporativa tem sido discutida no âmbito das políticas de ESG (Environment, Social and Governance – meio ambiente, social e governança, em tradução livre). Porém, isso não é novidade para as empresas do setor florestal, pois, pela própria natureza e pelo longo prazo da atividade, a manutenção da qualidade ambiental é uma necessidade de toda empresa que planta árvores, razão pela qual o setor conserva uma parcela significativa de florestas nativas em proporção à área de produção. Ele destaca, ainda, que as empresas florestais se estabelecem em regiões marginais à agricultura e outras atividades econômicas e, consequentemente, possuem um papel de grande importância no desenvolvimento social e econômico regional, mantendo uma relação harmoniosa com a comunidade que a cerca.

“A sustentabilidade não é um benefício para as empresas do setor florestal, mas, sim, uma necessidade. As empresas florestais, para se manterem na atividade, dependem de uma relação ganha-ganha tanto com o meio ambiente quanto com a sociedade. Não é à toa que o setor florestal mudou muito nas últimas décadas, abandonando a visão imediatista e fechada à sociedade, para uma visão moderna, em que a preocupação com a longevidade e sucesso da empresa se materializam em políticas ambientais e sociais. Por fim, as empresas também têm investido e aprimorado intensamente a governança de suas atividades”, reforça.

Inúmeras empresas paranaenses trazem as boas práticas como pilares em suas atividades. Outro exemplo entre as empresas associadas à Apre é a Klabin, que sempre procurou manter a gestão voltada para o desenvolvimento sustentável. “A companhia busca ser referência mundial em soluções responsáveis que respondam às constantes transformações da sociedade, com produtos florestais renováveis, recicláveis e biodegradáveis. Para isso, a empresa exerce um conjunto de práticas responsáveis envolvendo colaboradores, parceiros e comunidade que privilegiam o equilíbrio entre as esferas econômica, social e ambiental”, destaca Júlio Nogueira, gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Klabin.

A empresa foi a primeira do setor de celulose e papel do Hemisfério Sul a receber a certificação que atesta o manejo responsável em suas florestas plantadas. Além disso, é pioneira na adoção do manejo florestal em forma de mosaico, que consiste na formação de florestas plantadas entremeadas a matas nativas preservadas, formando corredores ecológicos que contribuem para a conservação da biodiversidade e a proteção do recurso hídrico. Atualmente, 100% das florestas próprias são certificadas, reforçando práticas de respeito aos recursos naturais, localidades e bem-estar dos trabalhadores.

Dentre os programas existentes, destacam-se o Plante com a Klabin, de parceria com produtores rurais do Paraná e Santa Catarina, que oferece um preço mínimo e a garantia de compra da madeira dos produtores de florestas de pinus e eucalipto, bem como programas ambientais para apoiar o cumprimento das questões legais ambientais e certificação; o Matas Sociais, que auxilia agricultores familiares no planejamento sustentável e na diversificação do uso da propriedade; o Parque Ecológico Klabin, área de 11 mil hectares de responsabilidade da empresa, que abriga cerca de 150 animais selvagens em recuperação; a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Monte Alegre, com 3.852 hectares destinados à pesquisa científica, proteção da biodiversidade local e dos recursos hídricos e fornecimento de sementes de espécies florestais para a restauração de áreas degradadas; e a RPPN da Serra da Farofa, Santa Catarina, para pesquisas científicas desenvolvidas em parceria com universidades locais, como a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Por fim, em 2020, a empresa passou a integrar o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, com participação em duas carteiras: Índice Mundial e Índice Mercados Emergentes. No mesmo ano, ainda implementou sua agenda própria de sustentabilidade, os KODS (Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável), que possuem 23 metas, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Já a associada John Deere, que atua nos segmentos agrícola, de construção e florestal. Para que esses setores consigam um desenvolvimento sustentável, eles se apoiam especialmente nas soluções tecnológicas em equipamentos e serviços. A empresa investe US$ 4 milhões por dia em pesquisa e desenvolvimento para disponibilizar aos clientes novas tecnologias e máxima produtividade, com redução de custos e foco na sustentabilidade.

“A companhia, que tem como um de seus pilares promover a sustentabilidade, disponibiliza esses equipamentos e serviços que contribuem para que as empresas possam produzir, crescer e ao mesmo tempo preservar. Além disso, também buscamos manter esse desenvolvimento sustentável internamente, em nossas fábricas. Para tanto, a empresa assumiu compromissos públicos de sustentabilidade. Sabemos que o desafio para o segmento, quando o assunto é preservação do meio ambiente, é ainda maior, considerando a necessidade de quebrar paradigmas e conceitos preestabelecidos. Por isso, é essencial que as empresas do setor, como a John Deere, mantenham diálogos transparentes com a sociedade e trabalhem para mostrar que no Brasil é possível produzir e preservar”, garante Rodrigo Junqueira, gerente de vendas da divisão Florestal da John Deere. Estamos à disposição.

Dentre as ações realizadas, Junqueira cita que 100% das fábricas da empresa no Brasil utilizam energia proveniente de fontes renováveis. Em nível mundial, desde 2017, a companhia já reduziu em 19% a emissão de gás do efeito estufa. Em 2020, 32% da energia utilizada pela companhia foi oriunda de fontes renováveis e 78% das sobras foram recicladas. Do ponto de vista de ações externas, uma das principais é o trabalho ativo da John Deere para comunicar o conceito e os conhecimentos do sistema de Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), uma estratégia de produção agropecuária que integra diferentes sistemas produtivos dentro de uma mesma área e que protege biomas, trabalha sobre áreas degradadas, planta árvores e resulta em maior produtividade.

Certificação florestal

De caráter voluntário, a certificação florestal tem como objetivo atestar a origem da matéria-prima e se os processos utilizados pela empresa certificada seguem princípios legais, técnicos, ambientais e sociais de excelência. Os dois principais sistemas de certificação em âmbito mundial são o Forest Stewardship Council (FSC), selo de certificação florestal mais popular em todo o mundo; e Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemes (PEFC), representado no Brasil pelo CERFLOR (Programa Nacional de Certificação Florestal).

Em 2019, a área total certificada no Brasil foi de 7,4 milhões de hectares. Destes, 4,4 milhões de hectares correspondem a florestas plantadas certificadas. No Paraná, o destaque fica pelo trabalho que vem sendo realizado pelas empresas ligadas à Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), já que 89% do total da área plantada estão certificadas.

“Isso mostra, mais uma vez, o respeito que o setor florestal tem pelo meio ambiente, pelas leis trabalhistas e por tudo que envolve a sociedade. Mais do que cultivar árvores e ser um negócio ambientalmente sustentável, as empresas exercem papel muito importante dentro da sociedade e da economia das cidades onde as florestas estão inseridas”, afirma Álvaro Scheffer Junior, presidente da Apre.

Para Marcelo Schmid, a busca pelo processo acontece por diferentes motivos. O primeiro deles é poder dar a garantia ao mercado consumidor que o produto tem origem em florestas manejadas adequadamente em relação a aspectos ambientais e sociais. Em seguida, tem crescido bastante no setor a demanda de empresas que desejam obter a certificação como uma política institucional, para comunicar tanto aos shareholders quanto aos stakeholders o posicionamento da marca nessas questões. “Não se trata de uma preocupação meramente mercadológica, mas um posicionamento institucional, de querer fazer o melhor e o mais correto”, completa.

Essas e outras informações estão presentes no último Estudo Setorial Apre, disponível no site www.apreflorestas.com.br, na aba “Publicações”.

Foto: Tawatchai07 – Freepik