O edifício Fyrtornet, localizado em Malmö, na Suécia, é uma torre de aproximadamente 51 metros de altura construída com madeira engenheirada. Ele é descrito como um arranha-céu de madeira que utiliza soluções estruturais baseadas em engenharia avançada para reduzir o impacto ambiental, destacando-se como uma das principais referências recentes em construção sustentável. O projeto também ganhou destaque internacional. De acordo com o site New Atlas, a torre atinge cerca de 51,5 metros de altura e foi construída quase inteiramente com madeira, utilizando elementos como CLT e glulam, com concreto restrito principalmente às fundações, algo incomum mesmo entre edifícios modernos desse tipo.
O ponto mais relevante é que o Fyrtornet reduz drasticamente o uso de concreto estrutural. Diferente da maioria dos edifícios de madeira de médio e grande porte, que ainda dependem de núcleos de concreto para estabilidade, o projeto aposta em uma estrutura praticamente integral em madeira engenheirada, posicionando-se como um dos exemplos mais avançados da chamada construção em madeira de alta performance.
Uso de CLT e madeira laminada permite estrutura sem núcleo de concreto
A estrutura do Fyrtornet é baseada em dois elementos principais: painéis CLT (Cross Laminated Timber) e vigas de madeira laminada colada (glulam). Esses materiais são considerados madeira engenheirada, ou seja, passam por processos industriais que aumentam sua resistência, estabilidade e previsibilidade estrutural.
O CLT é formado por camadas de madeira coladas em direções cruzadas, o que garante resistência tanto à compressão quanto à flexão. Já o glulam consiste em lâminas coladas longitudinalmente, formando vigas capazes de suportar grandes cargas.
Essa combinação permite que o edifício tenha núcleo, escadas e elementos estruturais inteiramente em madeira, dispensando o uso de concreto armado ou aço como elementos centrais de estabilidade — uma característica que diferencia o Fyrtornet da maioria dos prédios de madeira existentes.
Ausência de núcleo de concreto é o principal diferencial técnico do projeto
Em edifícios convencionais, o núcleo estrutural — onde ficam elevadores, escadas e shafts — é quase sempre feito de concreto armado, pois fornece rigidez e estabilidade contra cargas laterais, como vento.
No caso do Fyrtornet, essa função é desempenhada por estruturas em madeira engenheirada, o que representa um avanço técnico relevante dentro da engenharia civil contemporânea.
Segundo as informações divulgadas pelos desenvolvedores, a torre mantém estabilidade estrutural sem recorrer ao concreto no núcleo, o que reduz significativamente a pegada de carbono do edifício, já que o cimento é um dos materiais mais intensivos em emissões de CO₂ no setor da construção.
Outro ponto técnico importante do projeto é a integração de tecnologia energética diretamente na fachada. O Fyrtornet incorpora painéis solares integrados ao vidro, conhecidos como BIPV (Building Integrated Photovoltaics).
Esse sistema permite que o edifício gere parte da própria energia elétrica, reduzindo a dependência da rede e aumentando a eficiência energética ao longo da operação.
A combinação entre estrutura em madeira e geração de energia na própria fachada posiciona o edifício como um modelo de construção de baixo impacto ambiental, alinhado às metas europeias de redução de emissões no setor imobiliário.
Pré-fabricação industrial e transporte por trem reduzem emissões de CO₂
O processo construtivo do Fyrtornet também segue uma lógica industrializada. Grande parte dos componentes estruturais foi pré-fabricada, o que permite maior controle de qualidade, redução de desperdícios e diminuição do tempo de obra.
Além disso, os materiais foram transportados por trem até o local da construção, estratégia adotada para reduzir emissões associadas à logística, já que o transporte ferroviário possui menor impacto ambiental em comparação ao transporte rodoviário.
Esse modelo de construção industrializada em madeira é considerado uma das principais tendências globais, especialmente em países europeus que buscam reduzir a pegada de carbono da construção civil.
Madeira engenheirada ganha espaço como alternativa ao concreto e aço
A construção em madeira engenheirada tem crescido rapidamente nas últimas décadas, impulsionada por avanços tecnológicos e pela necessidade de reduzir emissões no setor da construção.
O concreto e o aço, embora altamente eficientes estruturalmente, são responsáveis por uma parcela significativa das emissões globais de carbono. A madeira, por outro lado, atua como um reservatório de carbono, já que armazena CO₂ absorvido durante o crescimento das árvores.
Isso faz com que edifícios em madeira possam apresentar balanço de carbono mais favorável, especialmente quando combinados com manejo florestal sustentável e processos industriais eficientes.
Torre sueca integra movimento global de edifícios em madeira de grande porte
O Fyrtornet não é um caso isolado, mas parte de um movimento global conhecido como mass timber construction, que envolve o uso de madeira engenheirada em edifícios cada vez mais altos.
Países como Noruega, Canadá, Japão e Áustria já possuem edifícios de madeira que ultrapassam dezenas de metros de altura. No entanto, muitos desses projetos ainda utilizam núcleos de concreto para garantir estabilidade.
Com 51 metros de altura, estrutura baseada em CLT e glulam, ausência de núcleo estrutural de concreto e integração de energia solar na fachada, o projeto se posiciona como um dos exemplos mais avançados de construção em madeira no mundo.
Ao combinar engenharia estrutural, eficiência energética e redução de emissões, a torre sueca não apenas desafia o domínio histórico do concreto e do aço, mas também aponta para um novo modelo de construção alinhado às demandas ambientais e tecnológicas do século XXI.
Fonte: Click Petróleo e Gás