A concessão da chamada Rota da Celulose em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, sinaliza um movimento mais amplo que começa a ganhar espaço no país: modelos rodoviários pensados para operar com tecnologia, flexibilidade contratual e resposta rápida ao aumento da demanda logística.
O projeto envolve seis rodovias estratégicas de Mato Grosso do Sul e nasce em um contexto de forte expansão industrial, impulsionado especialmente pelo setor de celulose e pelo agronegócio. A expectativa do governo estadual é que a nova concessão melhore o escoamento da produção, reduza riscos viários e fortaleça a competitividade regional, com reflexos diretos em cadeias produtivas que abastecem outros estados e o mercado externo.
Com contrato de 30 anos, a concessão prevê investimentos superiores a R$ 10 bilhões, sendo a maior parte destinada a obras e modernização da infraestrutura. A lógica do projeto foge do modelo engessado tradicional e aposta no acompanhamento contínuo do tráfego, permitindo ampliações de pistas, terceiras faixas e duplicações conforme o crescimento real da circulação de veículos.
Obras previstas
Conforme o estudo da licitação da Rota da Celulose, a BR-262 registrou, em março de 2023, um volume médio diário de veículos de 2.084 (60%) carros de passeio e 1.335 (40%) carros comerciais, totalizando 3.419 veículos passando por toda a extensão.
Apesar disso, apenas 101,73 km da estrada serão duplicados, no trecho entre a Capital e Ribas do Rio Pardo. Pelo Programa de Investimentos da concessão, as obras devem ser executadas entre o segundo e o terceiro ano de operação, ou seja, entre 2027 e 2028.
O início do trecho duplicado está fora do perímetro urbano de Ribas, em frente à sede da fábrica da Suzano, e termina no Anel Rodoviário de Campo Grande — entroncamento com a BR-163. Como parte da extensão na Capital é duplicada, a concessionária deverá readequar a pista.
A BR-262 terá quatro praças de pedágio: nos km 31 (Três Lagoas, perto da divisa com São Paulo), 104 (Três Lagoas, perto da divisa com Água Clara), 207 (Ribas do Rio Pardo) e 292 (Campo Grande).
Por fim, Água Clara e Ribas do Rio Pardo ganharão contornos rodoviários. Nessas duas cidades, há duas indústrias de celulose: a Suzano, já em operação em Ribas, e a Bracell, em processo de implantação em Água Clara.
O contorno em Ribas terá 12 km em pista dupla. Já o de Água Clara será em pista simples, com 6 km de extensão. E, em Campo Grande, as marginais no perímetro urbano serão ampliadas.