Ailson Loper
Você consome produtos de árvores todos os dias, que estão presentes nos papéis, nas embalagens, nos móveis, nas casas, na energia, e até na alimentação e medicamentos. De acordo com a Embrapa Florestas, a demanda global por madeira já alcança cerca de 1,6 bilhão de metros cúbicos por ano e esse volume pode dobrar até 2050.
Diante desse cenário, a origem da madeira faz toda a diferença. Dados do Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) mostram que o Brasil produziu quase 200 milhões de metros cúbicos de toras para fins industriais em 2024. Desse total, cerca de 94% vieram de florestas plantadas, que por sua vez ocupam apenas 1,47% do território nacional.
É por isso que, ao apoiar o uso de produtos extraídos das florestas plantadas, ajudamos a reduzir a pressão direta sobre as florestas nativas.
Os dados derrubam um mito persistente de que as florestas plantadas prejudicam as florestas naturais. A verdade é que historicamente o cultivo de pinus e de eucalipto se consolidou principalmente sobre áreas anteriormente degradadas e que por condições de relevo são preteridas por outras culturas.
Além disso, além de proibir a derrubada de mata nativa, a legislação atual exige que os produtores de florestas plantadas mantenham reservas legais e áreas de preservação permanente. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o país possui 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas e cerca de 7 milhões de hectares de florestas nativas conservadas.
Na prática, para cada hectare de floresta plantada, as empresas brasileiras possuem, em média, 0,7 hectare de vegetação nativa sendo cuidadas, de acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). No Paraná, nas empresas associadas à APRE, a proporção é ainda mais robusta. Para cada hectare produtivo, há aproximadamente outro hectare destinado à conservação. O estado soma cerca de 564 mil hectares em áreas protegidas vinculadas ao setor.
O Estudo Setorial da APRE, atualizado a cada dois anos, mostra que a silvicultura paranaense mantém áreas de conservação equivalentes ou superiores às áreas de plantio, conciliando conservação e produção sustentável.
As florestas plantadas entregam resultados concretos. Elas não são apenas fonte de matéria-prima. Veja o que elas proporcionam:
• Redução da pressão sobre florestas nativas
• Fixação e estoque de carbono
• Recurso renovável com ciclo contínuo de plantio e colheita
• Formação de corredores ecológicos
• Geração de 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil
• Desenvolvimento de comunidades locais
Devemos exigir conservação, produtividade e responsabilidade ambiental. As florestas plantadas mostram que essas três demandas podem coexistir.
A escolha é objetiva. Produzir em áreas manejadas, com controle técnico e compromisso ambiental, ou ampliar a pressão sobre as florestas nativas. Os dados indicam qual caminho é mais racional para o seu presente e para as próximas gerações.
Ailson Loper é diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) e professor do Departamento de Economia e Extensão Rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR).