O crescimento do comércio eletrônico no Brasil passou a influenciar diretamente a indústria de celulose, principalmente pelo aumento da demanda por embalagens utilizadas nas entregas de produtos comprados online. À medida que as vendas digitais se expandem, cresce também o consumo de caixas e materiais de papelão ondulado, que dependem da cadeia produtiva da celulose.
Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico indicam que o setor movimentou cerca de R$ 235,5 bilhões em 2025, com crescimento de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior. Esse avanço do varejo digital significa, na prática, mais embalagens circulando entre centros de distribuição e consumidores finais.
O papelão ondulado é hoje o principal insumo das embalagens utilizadas no e-commerce. Informações da Associação Brasileira de Embalagens em Papel mostram que o Brasil registrou 4,2 bilhões de metros quadrados expedidos em 2024, aumento de cerca de 5% em relação ao ano anterior. O país ocupa atualmente a sexta posição mundial na produção desse material.
A cadeia produtiva começa nas florestas plantadas, passa pela produção de celulose e pela fabricação de papéis industriais, até chegar às indústrias de embalagens. Nesse processo, empresas como Klabin e Suzano desempenham papel relevante na produção de celulose e papéis voltados ao segmento de embalagens.
O estado de Mato Grosso do Sul tornou-se um dos principais polos dessa indústria no país. As unidades instaladas em municípios como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo concentram grande parte da capacidade produtiva e ajudam a consolidar a região como referência global na produção de celulose. A expansão inclui novos investimentos e projetos industriais, com previsão de geração de empregos e aumento da capacidade produtiva.
Outro fator que impulsiona o setor é a substituição gradual do plástico por materiais renováveis, movimento estimulado por metas ambientais e políticas de sustentabilidade adotadas por grandes empresas do varejo e marketplaces.
Mesmo com o cenário positivo, a indústria ainda enfrenta desafios, como oscilações cambiais, dependência da demanda internacional e custos logísticos. Ainda assim, a digitalização do consumo cria um ciclo de crescimento que começa nas florestas plantadas e chega até a entrega final ao consumidor.
Recorde de papel ondulado em janeiro de 2026
O Boletim Estatístico Mensal da Empapel (Associação Brasileira de Embalagens em Papel) aponta que o Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO) avançou 2,6% em janeiro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, para 153,1 pontos (2005=100).
Em termos de volume, a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado alcançou 343.774 toneladas no mês. Trata-se do maior valor registrado na série histórica para os meses de janeiro, configurando recorde de expedição.
Por dia útil, o volume de expedição foi de 13.222 toneladas, um aumento de 2,6% na comparação interanual, visto que janeiro de 2026 registrou a mesma quantidade de dias úteis que 2025 (26×26 dias úteis).
Fonte: Perfil News e EmbalagemMarca