O Pinus completa 120 anos no Brasil em 2026 e assume posição estratégica na bioeconomia, atendendo a demanda da sociedade por matérias-primas renováveis e a critérios rigorosos de sustentabilidade exigidos por mercados e investidores. A consolidação veio depois de um longo ciclo de pesquisa em adaptação, melhoramento genético e manejo, com as espécies Pinus taeda e Pinus elliottii liderando ganhos de produtividade e qualidade, sobretudo na Região Sul, onde clima e solo favoreceram a cultura. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram 89% da área nacional plantada com Pinus. Os três estados juntos respondem por 1,7 milhão de hectares de florestas.
Para marcar a data histórica, entidades do setor florestal lançam neste dia 1º de setembro uma campanha institucional que celebra a trajetória do Pinus no Brasil e seu papel na sociedade, gerando cadeias industriais de produtos sustentáveis, além de desenvolver comunidades com emprego e renda, e contribuir para a preservar as florestas naturais. A iniciativa reúne as três associações de empresas de base florestal da Região Sul: Apre Florestas (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal); ACR (Associação Catarinense de Empresas Florestais) e Ageflor (Associação Gaúcha de Empresas Florestais). Juntas, as três entidades formam a Associação Sulbrasileira de Empresas Florestais (ASBR). A campanha também tem alcance nacional com a participação da Abimci, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente.
As instituições reúnem diferentes elos da cadeia, do plantio à transformação industrial, em ações que destacam a contribuição econômica, social e ambiental da cultura.
Visão de longo prazo
O presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), Fabio Brun, aponta que o Paraná possui cerca de 710 mil hectares de Pinus e responde por mais da metade do volume nacional do gênero. A cadeia inclui produção florestal, indústria, pesquisa e fornecedores, com impacto direto sobre a economia de municípios do interior. “O Paraná reúne uma combinação de fatores que poucos estados conseguiram desenvolver ao longo do tempo. O primeiro deles foi a visão de longo prazo, enxergando o potencial deste gênero e investindo continuamente em pesquisa, melhoramento genético e manejo florestal”, afirma.
Segundo Brun, o conhecimento acumulado foi construído em parceria entre empresas, produtores rurais, universidades e instituições de pesquisa. Esse processo contribuiu para aumentar a produtividade e formar uma cadeia industrial diversificada, que gera emprego, renda e desenvolvimento regional. “Hoje, praticamente tudo que é produzido na floresta é aproveitado. A madeira abastece os setores de serrados, de painéis, de papel e celulose, de móveis, de construção civil e energia e uma série de outros produtos de maior valor agregado.”
Papel fundamental
De acordo com o presidente da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Jose Mario Ferreira, que atualmente também preside a ASBR, o Pinus é uma das bases do desenvolvimento florestal da Região Sul do Brasil, desempenhando papel fundamental na geração de empregos, renda e competitividade industrial. Os estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul abrigam importantes indústrias de papel e celulose, painéis de madeira, serrarias, móveis, embalagens e biomassa energética, que dependem dessa matéria-prima renovável.
“Em Santa Catarina, especialmente, o setor florestal baseado no Pinus é um dos principais motores do desenvolvimento regional, sustentando milhares de empregos e fortalecendo a economia de diversos municípios do Planalto Serrano e do Meio-Oeste, onde a atividade florestal se tornou uma importante alternativa de uso produtivo da terra, associando crescimento econômico e sustentabilidade ambiental.”

Grande valor agregado
Daniel Chies, presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), explica que o Pinus, com 282 mil hectares plantados no Rio Grande do Sul, representa aproximadamente um terço da área de florestas comerciais no estado. Seu cultivo em maior escala está localizado, principalmente, na região nordeste do estado (Serra Gaúcha), concentrando quase metade de todo efetivo do RS, seguido pelas regiões do Litoral, Serra do Sudeste e Sul. Assim como nos demais estados do Sul, o Pinus em terras gaúchas contribui de forma significativa para com o desenvolvimento social e econômico, tendo importante participação na manufatura de produtos de madeira, painéis e móveis e ampla utilização na construção civil. Mas não se resume a isso.
“Um aspecto importante a se destacar do cultivo de Pinus no Rio Grande do Sul é o da sua utilização também para produção de celulose como matéria-prima de papel e embalagens e de produtos derivados da goma resina, originando uma série de produtos do dia-a-dia, com grande valor agregado, a partir da transformação química. Além disso, vem crescendo o número de plantas industriais produzindo pellets e seu uso como biomassa florestal (bioenergia), impulsionando a geração de uma energia calorífica limpa e sustentável”, ressalta Chies.
Cadeia industrial diversificada
Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), valoriza a inserção gradativa da espécie na cadeia produtiva ao longo dos anos. “Os 120 anos de cultivo do Pinus demonstram como uma matéria-prima florestal pode ser incorporada à economia de forma planejada, gerar conhecimento, tecnologia e se tornar a base de uma cadeia industrial diversificada.”
Pupo acrescenta que, atualmente a madeira de Pinus é essencial para uma indústria que transforma esse recurso renovável em produtos de maior valor agregado. “Valorizar essa trajetória da espécie no Brasil, também significa reconhecer a importância das florestas plantadas para o abastecimento da indústria e para o desenvolvimento econômico e social do país.”
Madeira presente no cotidiano
A importância econômica do Pinus pode ser observada na diversidade de produtos derivados da madeira. A matéria-prima é utilizada na fabricação de painéis MDF e MDP, compensados, portas, pisos, móveis, embalagens, paletes e componentes para a construção civil. Também participa das cadeias de papel e celulose e fornece matéria-prima para produtos químicos, como resinas e derivados.
Ailson Loper, diretor executivo da APRE Florestas, explica que a silvicultura envolve um ciclo contínuo de cultivo, condução, colheita e replantio. “Essa atividade dá origem a diversos produtos no nosso dia a dia, que vão além dos produtos tradicionais. Derivados de celulose já são utilizados em tecidos, encapsulamento de produtos químicos, maquiagem, alimentos e medicamentos. A pesquisa também abre possibilidades para o desenvolvimento de novos materiais”, afirma.
A nanocelulose aparece entre as tecnologias que ampliam o potencial de uso da matéria-prima florestal. Segundo o diretor da APRE, o material vem sendo utilizado em aplicações como próteses ósseas, próteses de cartilagem, curativos biológicos e revestimentos de medicamentos.
Pesquisa transformou o valor do Pinus
O Pinus nem sempre teve a importância econômica que apresenta atualmente. No início da introdução da árvore no país, a abundância de madeiras nativas de maior densidade fazia com que esta matéria-prima fosse vista como uma alternativa de menor valor agregado.
O cenário mudou com o desenvolvimento da pesquisa florestal, da genética e dos processos industriais. Características naturais do Pinus, como menor densidade e maior presença de nós, estimularam a criação de tecnologias de processamento e novas aplicações.
Com o avanço da pesquisa florestal, do desenvolvimento genético e dos processos industriais, o Pinus passou a demonstrar enorme versatilidade e competitividade. A produtividade também se tornou um diferencial. As condições climáticas brasileiras, associadas aos avanços da genética e do manejo, permitem obter matéria-prima renovável em ciclos competitivos.
Florestas plantadas e conservação
O debate sobre os 120 anos do Pinus também envolve a relação entre produção florestal e conservação ambiental. Segundo Yeda Malheiros de Oliveira, pesquisadora da Embrapa Florestas, a definição de floresta adotada internacionalmente inclui tanto florestas naturais quanto florestas plantadas.
As duas possuem características e funções diferentes. As florestas nativas estão associadas principalmente à conservação ambiental, à biodiversidade e à regulação do clima. As florestas plantadas, por sua vez, são destinadas à produção de matérias-primas renováveis. “As florestas nativas ou florestas naturais e as florestas plantadas, dessa forma, se complementam em perfeita sinergia e grande harmonia”, afirma a pesquisadora.
Segundo Yeda, as florestas plantadas contribuem para evitar que áreas de vegetação nativa sejam utilizadas para a produção de materiais destinados à indústria. Ela também destaca que os plantios podem formar mosaicos com áreas naturais, contribuindo para a proteção de fragmentos florestais.
Próximos 120 anos
A trajetória do Pinus no Brasil demonstra como um gênero inicialmente submetido a experimentos de adaptação passou a integrar uma cadeia produtiva diversificada e tecnologicamente desenvolvida. Ao longo desse período, pesquisa, genética, manejo e indústria ampliaram tanto a produtividade das florestas quanto o número de produtos derivados da madeira.
Para Fabio Brun, os 120 anos sintetizam essa transformação. “O que começou com uma introdução de novas espécies evoluiu para a construção de um setor altamente tecnológico, sustentável e competitivo”, afirma.
O próximo ciclo da cadeia passa pelo desenvolvimento de novas aplicações para a madeira e seus derivados, pelo avanço da biotecnologia e pela ampliação do uso de matérias-primas renováveis. Para o setor, a combinação entre pesquisa, inovação, produtividade e responsabilidade ambiental poderá ampliar a participação das florestas plantadas na economia brasileira.
A campanha
Composta por peças de áudio, vídeo e textos, a campanha dos 120 anos mostra como a cultura do Pinus é renovável, regida pela sustentabilidade e benéfica para o meio ambiente. E também como ela gera uma incrível variedade de produtos para a vida e o cotidiano dos brasileiros.
Na campanha desenvolvida pela agência curitibana Oak Marketing, o Pinus é retratado em livros, móveis, fraldas, papéis sanitários, tintas, perfumes, cosméticos, produtos farmacêuticos, instrumentos musicais e até em goma de mascar. Além de estar na construção civil, na geração de energia e na bioeconomia, com os bioprodutos.
O Pinus torna-se o protagonista da sua própria história, contada na primeira pessoa e com forte envolvimento emocional. Uma campanha que
resgata o passado, ajuda a acabar com velhos preconceitos e aponta para um futuro de responsabilidade e compromisso com a sociedade.
Concurso de fotografia e prêmio de jornalismo
Além da campanha institucional, outras iniciativas marcam os 120 anos do Pinus no país. Uma delas é o Prêmio APRE Florestas de Jornalismo, cujo tema enfoca esse marco histórico, e as inscrições já estão abertas. Podem concorrer matérias de texto, vídeo e áudio. Outra é o concurso de fotografia lançado pela ACR e que vai premiar as três melhores fotos com a temática.
