O mercado de florestas plantadas no Brasil tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos, transformando-se de um setor periférico para um ativo estratégico da bioeconomia nacional. Com impacto direto nas exportações, no risco regulatório e no custo de capital, esse segmento já responde por 6% do PIB industrial brasileiro.
De acordo com Pedro Cortez, analista de meio ambiente, o setor movimentou cerca de R$ 44 bilhões em 2024 e apresenta uma tendência forte de crescimento. “A estimativa é que tenha crescido em torno de 140% desde 2020 até 2025, ou seja, nos últimos cinco anos”, afirmou Cortez. O mercado também é responsável pela geração de aproximadamente 4,5 a 5 milhões de empregos no país.
Concentração regional e principais produtos
A atividade de florestas plantadas se concentra principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Santa Catarina. Os principais produtos associados a esse mercado são celulose, madeira industrial e biomassa energética, que têm ganhado cada vez mais relevância na pauta de exportações brasileiras.
Um aspecto ambiental importante destacado por Cortez é o papel das florestas plantadas como repositório de carbono. “Principalmente quando a floresta está em crescimento, por meio da fotossíntese, as plantas absorvem CO2 da atmosfera, ficam com carbono para o crescimento do tecido vegetal e devolvem para a atmosfera o oxigênio”, explicou. Quando a madeira é utilizada para fins duradouros, como móveis ou construção civil, há uma retenção significativa do carbono captado da atmosfera.
Governança ambiental e financiamento
Embora as florestas plantadas sejam frequentemente caracterizadas como monoculturas, Cortez ressalta que não há problemas relacionados a esse fator desde que exista uma governança ambiental adequada. Isso inclui a criação de corredores ecológicos interligando diferentes biomas para minimizar impactos ambientais.
Quanto ao financiamento, o especialista explica que “o financiamento fica mais fácil se a produção da madeira estiver associada já a um ciclo industrial firme”. Ou seja, quando existem contratos ou associação a empresas que produzem celulose, madeira para construção civil ou móveis, ou que exportam esses produtos. Cortez também menciona que há disponibilidade de financiamento, inclusive pelo BNDES, dependendo principalmente de uma adequada governança ambiental para o sucesso do empreendimento.
Fonte: CNN