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Acordo UE-Mercosul começa a valer

O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul passou a valer de forma provisória no Brasil no dia 1° de maio. Com isso, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu.

O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto.

Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutassucospeixescrustáceosóleos vegetais café solúvel e moído — o café em grão já entra na Europa sem taxa.

Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovinafrango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local.

Os produtores da UE desses setores são justamente os que resistem ao acordo, mesmo após sua assinatura em 17 de janeiro. Por pressão deles e de ambientalistas, o Parlamento europeu enviou o tratado para o Tribunal de Justiça do bloco, o que deve atrasar sua implementação definitiva .

Ainda assim, a aplicação provisória já permite o início da redução das tarifas. Mesmo os segmentos que já exportavam com tarifa zero para a UE avaliam positivamente o tratado, pois, segundo eles, acordos comerciais não se limitam à redução de tarifas, mas também abrem espaço para ampliação de investimentos bilaterais.

Benefícios para o setor florestal

A soja e os produtos florestais são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais exportados pelo Brasil à UE, atrás apenas do café. Eles já têm tarifa zero na Europa, mas associações setoriais celebraram o acordo.

“Trata-se de uma negociação construída ao longo de muitos anos, que agora dá mais um passo estratégico para aproximar duas regiões, em um momento de escala do protecionismo e forte enfraquecimento do multilateralismo como conhecíamos até então”, diz Paulo Hartung, presidente executivo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

No caso da celulose, o ganho está mais ligado ao ambiente geral, com maior previsibilidade e segurança nas relações comerciais entre os blocos.

Fonte: G1