O ano de 2026 é o marco histórico dos 120 anos da chegada do pinus ao Brasil e é importante destacar a trajetória dessa espécie para a economia paranaense e para a balança comercial brasileira.
Assim como outras culturas agrícolas que hoje sustentam o agronegócio, o pinus não foi inserido de forma aleatória, como se sua semente alada tivesse pousado em território nacional. Pelo contrário. Sua introdução seguiu critérios técnicos rigorosos, com estudos sobre solo, clima, regime de chuvas, incidência de pragas e potencial produtivo.
Esse processo, iniciado no começo do século XX, tinha como objetivo ampliar a oferta de madeira e reduzir a pressão sobre florestas nativas.
Em entrevista recente à Rádio TNews, o diretor da APRE Florestas, Ailson Loper, esclareceu que as espécies como Pinus taeda e Pinus elliottii se destacaram por sua adaptação às condições brasileiras, especialmente na Região Sul, onde o clima favorece crescimento acelerado e alta qualidade da madeira.
A performance contribuiu para consolidar o pinus como uma das principais bases do setor florestal nacional. Nesse cenário, o Paraná é protagonista na produção de pinus no Brasil, concentrando mais de 54% do volume nacional.
Atualmente, o pinus tem papel estratégico na economia, abastecendo cadeias produtivas como papel e celulose, construção civil, indústria moveleira, indústria química e geração de energia. O cultivo também se destaca pelo uso eficiente do solo e pela contribuição à sustentabilidade, ao produzir matéria-prima renovável e reduzir a necessidade de exploração de florestas nativas.
A entrevista também ressalta que o avanço do setor não se limita ao passado. A pesquisa segue ativa, com foco em melhoramento genético, manejo e aumento de produtividade. Nesse contexto, o pinus é frequentemente classificado como “ouro verde”, dada sua relevância econômica e seu impacto no desenvolvimento regional.
A madeira oriunda da silvicultura abastece um complexo floresto-industrial amplo, com aplicações diretas em produtos do dia a dia, como móveis, papel e embalagens. “É uma atividade alinhada à bioeconomia, ao substituir matérias-primas de origem fóssil por insumos renováveis, produzidos de forma eficiente e com menor uso de recursos”, assinala.
Loper explica que o Paraná foi dividido em sete polos florestais, com base em critérios como área plantada, consumo, emprego e valor de produção. Como destaque, estão o polo de Telêmaco Borba, voltado à produção de celulose com eucalipto, e o polo de General Carneiro, referência nacional em valor bruto da produção, com foco em pinus e produtos de maior valor agregado.
Loper detalha ainda o aproveitamento integral da árvore na cadeia produtiva. As toras de maior diâmetro são destinadas a produtos sólidos, enquanto partes intermediárias são utilizadas na produção de painéis como MDF e MDP. Já resíduos e partes menos nobres são direcionados à geração de energia, utilizada inclusive na agroindústria, como na secagem de grãos e produção de proteína animal. “Essa lógica reforça o conceito de aproveitamento total da matéria-prima, que vai além no que chamamos de biorrefinaria da madeira, com aplicações em nanocelulose, substituição de plásticos e até componentes para cosméticos e eletrônicos”.
Dados do Sistema Nacional de Informações Florestais mostram ainda uma inversão histórica: se antes predominava o uso de madeira nativa, hoje cerca de 94% da madeira industrial no país provém de florestas plantadas.
Assista à entrevista na íntegra clicando aqui.